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Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã e diz que os dois lados estão próximos de um acordo definitivo de paz

Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã faltando 1h30 para ultimato Os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo com o Irã. Donald Trump fez o anúncio nest...

Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã e diz que os dois lados estão próximos de um acordo definitivo de paz
Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã e diz que os dois lados estão próximos de um acordo definitivo de paz (Foto: Reprodução)

Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã faltando 1h30 para ultimato Os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo com o Irã. Donald Trump fez o anúncio nesta terça-feira (7) à noite, exatamente às 19h32, hora de Brasília – 18h32 em Washington. Serão duas semanas de trégua. Depois de um dia muito tenso, um desfecho: cessar-fogo de duas semanas confirmado pelas duas partes - Estados Unidos e Irã. Com uma condição: a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás produzidos no mundo. Esse período de duas semanas vai ser utilizado pelas duas partes para que elas encontrem, então, uma solução definitiva, um acordo definitivo de paz. Essa construção toda do cessar-fogo - ou seja, da suspensão desses ataques - foi feita, intermediada, pelo Paquistão. E quem primeiro confirmou esse acordo - pelo menos para as duas próximas semanas - foi o presidente americano, Donald Trump, em uma publicação nas redes sociais. Trump escreveu: “Eles pediram que eu suspendesse a força destrutiva que estava sendo mandada hoje à noite para o Irã”. E continuou afirmando: “Com a condição de que o Irã concorde com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender o bombardeio e os ataques ao Irã por um período de duas semanas. Isso será um cessar-fogo de mão dupla”. Trump disse ainda que estava tomando essa decisão porque já cumpriu todos os objetivos militares que ele tinha e afirmou: “Recebemos uma proposta de dez pontos do Irã e acreditamos que ela é uma base viável para negociação. Quase todos os pontos de divergência do passado foram acertados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consumado”. Na noite desta terça-feira (7), o regime iraniano também confirmou esse acordo. E essa confirmação veio por meio do ministro das Relações Exteriores do Irã. Ele confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz. Ele disse o seguinte: "Por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e, também, com a devida consideração das limitações técnicas". O que a gente vai acompanhar a partir de agora é abertura do Estreito de Ormuz e como esse cessar-fogo vai começar a ser colocado em prática por Estados Unidos e Irã. É o desfecho de uma negociação muito tensa, com um dia de muitas ameaças dos dois lados. Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã e diz que os dois lados estão próximos de um acordo definitivo de paz Jornal Nacional/ Reprodução Ao longo do dia, a estratégia americana foi de pressão total no discurso e no campo de batalha. O dia começou com relatos de bombardeios na estratégica Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Segundo o jornal “Wall Street Journal”, os americanos atacaram mais de 50 alvos militares. Os iranianos disseram que a situação está sob controle. De manhã, faltando aproximadamente 12 horas para o ultimato, Donald Trump foi à sua rede social. Ele escreveu: “Uma civilização inteira vai morrer esta noite para nunca mais voltar. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai acontecer”. Trump continuou: “Agora que temos uma mudança de regime completa e total - na qual prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas -, talvez algo maravilhoso possa acontecer. Quem sabe? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo”. Nos últimos dias, Trump ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã se o país não aceitasse um acordo e reabrisse o Estreito de Ormuz. E no domingo (5), deu o ultimato até 21h pelo horário de Brasília. A ameaça de Trump gerou reações. Bombardeios a estruturas civis são considerados crimes de guerra pelo direito internacional. Fato lembrado nesta terça-feira (7) pelo porta-voz da ONU. Ele disse que o secretário-geral está muito perturbado com as falas de Trump dos últimos dias e desta terça-feira (7) de manhã. E afirmou: “Não há objetivo militar que justifique a destruição em massa da infraestrutura de uma sociedade ou a imposição deliberada de sofrimento a populações civis”. Donald Trump Jornal Nacional/ Reprodução No Conselho de Segurança da ONU, o representante iraniano respondeu às declarações de Donald Trump. Disse que, se a ameaça dos americanos se concretizar, o país “exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”. O embaixador disse que as ameaças de Trump, de destruição generalizada da infraestrutura civil, constituem uma incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio. O representante iraniano falou durante o debate de uma resolução proposta pelo Bahrein para reabrir o Estreito de Ormuz com escoltas, por exemplo. China e Rússia, integrantes com direito a veto e aliados dos iranianos, barraram o texto. Em meio aos impasses, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que estava pronta para revidar as ameaças de Trump com ataques a alvos fora do Oriente Médio. Uma escalada que ampliaria ainda mais o alcance da guerra. Enquanto as horas iam passando, a possibilidade de acordo parecia cada vez mais distante. Foi aí que o Paquistão tentou uma última cartada e pediu concessões de cada lado. A Trump, apelou por mais duas semanas de prazo, para dar mais tempo às negociações. E, ao Irã, pediu um gesto de boa vontade: a reabertura do Estreito de Ormuz por esse período. O governo paquistanês também pediu que todos os envolvidos na guerra parassem com os ataques também por duas semanas. Por volta das 19h30 no Brasil, faltando uma hora e meia para o fim do prazo de Trump, o presidente americano anunciou que concordava com a proposta do Paquistão. Mapa da guerra O mapa da guerra: veja os pontos sensíveis do Oriente Médio em meio a ameaças e ataques do Irã e dos EUA Saiba o que aconteceu de mais importante nos pontos estratégicos do front de batalha - tem tudo a ver com a produção, com o escoamento do petróleo - antes do anúncio de Donald Trump em relação a um cessar-fogo de duas semanas. Não interessava a nenhum dos lados a continuidade dessa guerra. O Irã vinha sendo pressionado pelos países da região e pelas ameaças de Donald Trump de um ataque muito amplo a toda infraestrutura energética, a pontes do Irã. E, do outro lado, o presidente americano, Donald Trump, vinha muito pressionado inclusive internamente. A desaprovação dos americanos diante dessa guerra. E pressionado com as consequências econômicas. Isso tudo fica muito claro quando se olha para o mapa da guerra. Nesta terça-feira (7), houve um aumento muito grande da pressão de ambos os lados, a começar pelos Estados Unidos. O país voltou a atacar um ponto que é muito estratégico para o Irã: o Ilha de Kharg. A ilha é, na prática, o coração econômico do Irã. A concentração de petróleo por lá é muito grande. Por lá, passam 90% de todo o petróleo exportado pelo Irã para o mundo. Além disso, tem as instalações de gás e as instalações militares. Nesta terça-feira (7), os ataques foram concentrados nas instalações militares. Mas o presidente americano, Donald Trump, estava ameaçando atacar toda a infraestrutura energética do Irã se não houvesse um acordo - como ocorreu. A Ilha de Kharg tem uma localização estratégica. Ela fica a apenas 800 km de distância do Estreito de Ormuz - que vai ser reaberto durante o período de duas semanas de cessar-fogo e por onde passam 20% de todo o petróleo e gás produzidos no mundo. Por isso, o Estreito de Ormuz é tão definidor do desfecho dessa guerra. Mas teve a pressão, também, por parte do Irã. O país estava ameaçando, além do Estreito de Ormuz, fechar o Estreito de Bab Al-Manbed. Esse é um estreito também muito estratégico pela região onde ele está concentrado. A passagem tem cerca de 30 km de uma ponta a outra. E sabe quem controla esse estreito? Os houthis, um grupo extremista financiado pelo Irã e está localizado no Iêmen e que, em outros conflitos, provou ataques a embarcações que passavam pelo Mar Vermelho. O Mar Vermelho tem sido usado por alguns países, como a Arábia Saudita, como uma alternativa ao Estreito de Ormuz para exportar o petróleo. A Arábia Saudita, que tem um oleoduto que cruza o país, começou a enviar o petróleo - que geralmente era exportado pelo Estreito de Ormuz - para o Mar Vermelho, mandado para a Europa por meio do Canal de Suez ou mandando para a Ásia por meio do estreito que o Irã ameaça fechar. Esse jogo de ameaças, que começou a ser colocado em prática nessa terça-feira (7) a respeito do Estreito de Bab Al-Manbed, dá uma ideia da pressão que estava sendo envolvida nesse momento e que levou ao desfecho de um cessar-fogo de duas semanas. LEIA TAMBÉM Irã chama ameaça de Trump de acabar com 'civilização' de potencial genocídio e diz que 'não ficará de braços cruzados' 'Uma civilização inteira morrerá': Irã, políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump Com veto de China e Rússia, Conselho de Segurança da ONU rejeita uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz Irã corta comunicação direta com EUA após Trump ameaçar 'destruir civilização' do país, diz jornal